quinta-feira, 17 de junho de 2010

Infecções do Trato Urinário e Gastrointestinais


A interpretação das uroculturas deve ser baseada em critérios padronizados, pois em muitos casos as amostras estão contaminadas com microrganismos da microbiota normal. Kass foi quem primeiro descreveu, em 1956, o uso das uroculturas quantitativas para os diagnósticos das ITU. Os procedimentos laboratoriais para a liberação de uroculturas devem ser padronizados pelo laboratório a fim de que o clínico possa interpretar da forma mais clara possível os resultados obtidos.
Epidemiologicamente
A infecção das vias urinaria se dividem em hospitalares (freqüentemente relacionadas com cateterismo vesical) e as infecções ditas ambulatoriais. A imensa maioria das infecções sintomáticas agudas é observada em mulheres jovens e são, comparativamente, raras em idosos maiores de 50 anos. A bacteriúria assintomática é mais freqüente nos idosos acima de 65 anos, sejam homens ou mulheres.
Atualmente, as ITU são classificadas em sete categorias:
1.    Cistite aguda não complicada em mulheres jovens;
2.    Cistite recorrente em mulheres jovens;
3.    Pielonefrite não complicada em mulheres jovens;
4.    ITU complicada em adulto;
5.    ITU no homem jovem;
6.    ITU associada a cateter;
7.    Bacteriúria assintomática em adultos;
Cistite Aguda Não-Complicada em Mulheres (CANC)
          Em cerca de 30% dos pacientes com manifestações clinicas de cistite persistem patologias subclínicas do trato urinário superior. A mulher jovem com quadro de disuria aguda freqüente possui: cistite aguda, uretrite aguda por Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, micoplasmas genitais ou vírus Herpes simples, vaginite induzida por Candida ou Trichomonas.
Infecção Urinaria Recorrente na Mulher
          Cerca de 20% das mulheres jovens que apresentam um episodio inicial de cistite terão outros casos posteriores de infecção recorrente que, em certas ocasiões, se devem à persistência de focos infecciosos. Porem, 90% destes casos são derivados de mecanismos de reinfecção exógena e só raramente possuem relação com anomalias anatomofuncionais do trato urinário. O uso de espermicidas e diafragmas estão associados com esta recorrência, uma vez que já está provado que os primeiros induzem à colonização vaginal por E.coli.
       A Escherichia coli tem como principais fatores de virulência as adesinas, as fímbrias do Tipo 1, as fímbrias P, fímbrias S/F1C, adesinas da família Dr, toxinas, sistemas de captação de ferro, antígeno O, cápsulas e resistência ao soro. Esses fatores proporcionam às bactérias poder de multiplicação e de sobrevivência no organismo do indivíduo que a mesma habita.
Pielonefrite Aguda Não-Complicada em Mulheres Jovens (PANC)
O espectro clínico da PANC quase sempre está limitado às manifestações de cistite produzida, em 80% dos casos, por subgrupos únicos de E.coli chamamos “cepas urupatógenas”. Tais cepas possuem determinantes específicos de virulência que lhes permitem infectar o trato urinário superior inclusive de pessoas saudáveis e que pertencem a um pequeno numero de sorogrupos O, K, e H produtores de hemolisina e aerobactina, contendo fimbrias especificas que favorecem sua união à porção digalactosídea dos glicoesfingolipídeos das células uroepiteliais. A urocultura pode em 20% dos casos, resultar em contagens inferiores a 105 UFC/mL. Cerca de 30% dos microrganismos que causam a PANC são resistentes a amoxilina e às cefalosporinas.
ITU Complicada (IC)
As IC são aquelas que ocorrem em paciente que possui alguma anomalia funcional metabólica ou anatômica do trato urinário, ou aquelas causadas por microrganismos resistentes a diversos grupos de antimicrobianos. Tais fatores podem ser difíceis de serem descobertos e o espectro clinico pode variar desde uma ligeira cistite a uma urossépsis de curso agudo, podendo possuir períodos prolongados de bacteriúria assintomática.
Infecções do Trato Urinário no Homem (ITUHJ)
As ITUHJ (em pacientes apresentando idade inferior a 50 anos) são consideradas relativamente com menor incidência (em comparação com as patologias anteriormente descritas). Estudos recentes sugerem que as cepas uropatógenas de E.coli caudadoras de pielonefrites em mulheres jovens podem causar infecções não complicada (cistite) em homens jovens, com sintomas clássicos de cistite, porém, em muitas ocasiões, predominam elementos de uretrite (inclusive com secreção uretral).

Infecções Urinária s Associadas com Cateter (IUAC)
Estima-se que ocorram mais de 1 milhão de infecções urinárias por cateter nos Estados Unidos por ano. Esses índices também são extremamente altos no Brasil. A bacteriúria associada à cateterização é a causa mais comum de bacteremias e septicemias em pacientes hospitalizados. Tem sido demonstrado que a bactéria se adere à superfície dos cateteres urinários e inicia-se o desenvolvimento de películas biológicas compostas de bactérias, proteínas de Tamn-Horsfall e sais como a apatita e a estruvita, que impedem a ação dos antibióticos sobre as bactérias e originam falhas ou hiporrespostas à terapia antimicrobiana. Por isso recomenda-se trocar o cateter por mais de 2 semanas de implantação, quando trata-se de casos de IUAC.
 Bacteriúria Assintomática (BA)
A BA é definida pela presença de uropatógenos com contagens de colônias iguais ou superiores a 105 UFC/mL de urina em mais de 2 cultivos sucessivos em um indivíduo assintomático. Tem –se demonstrado que as complicações pós-operatorias (bacteremias) são reduzidas mediante o reconhecimento e tratamento da BA antes da cirurgia urológica e que as mulheres grávidas devem ser investigadas durante o primeiro trimestre e tratadas casos possuam bacteriúria, para diminuir o risco de pielonefrite aguda e prematuridade.

UROCULTURA
COLETA
·         Colher preferencialmente no laboratório a primeira urina da manhã ou com intervalo de 4 horas entre as micções. Fazer higiene da genitália com água e sabão. Nas mulheres, lavar e secar sempre de frente para trás. Nos homens lavar retraindo o prepúcio para uma adequada limpeza do meato uretral.
·         Desprezar o primeiro jato e, sem interromper a micção, colher o jato médio sem encostar o frasco de coleta na região genital. Utilizar frascos de boca larga estéreis e só abrir o frasco imediatamente antes da coleta.
·         Para coletas realizadas em casa, o prazo para entrega da urina é de uma hora em temperatura ambiente ou refrigerada.
·         Mulheres: não indicamos o uso de tamponamento (absorvente interno) para coleta de urina no período menstrual.
·         Crianças: não utilizar pomadas no dia da coleta. Sempre que possível colher no próprio laboratório, tomando os cuidados especiais com assepsia.
·         No caso de crianças que necessitam do uso de coletor, o mesmo deve ser colocado após a higienização adequada, e deverá ser trocado de 30 em 30 minutos, até que a criança urine. Repetir a higienização e, sempre que for necessário, trocar o coletor. Após a coleta, transferir a urina imediatamente e assepticamente para o tubo de boca larga.
·         Manter dieta hídrica habitual.
A urocultura é um exame realizado com urina, para diagnosticar possíveis infecções urinárias e os antibióticos específicos para o agente causador. A maior parte das ITU – Infecções Trato Urinário - é provocada por bactérias, sendo mais frequente a echerichia coli. Esta bactéria é na maioria dos casos proveniente do trato intestinal (TI). Se a infecção não for diagnosticada e tratada de maneira adequada, a bactéria pode invadir o aparelho urinário, causar lesões nos rins e uma sepse em casos mais graves. As mulheres têm mais infecções do que os homens, uma justificativa a isto é que a uretra é mais curta e o espaço entre o meato urinário e o ânus é menor. As infecções urinárias podem desencadear ou não sintomas como ardor e dor ao urinar (disúria), sensação de bexiga cheia mesmo após urinar, urinar várias vezes (poliquiúria) e pouco de cada vez, urina fétida, concentrada ou com sangue. Para um bom resultado segue se as normas de controles de qualidade que vão desde o processo de coleta ao realizar e emitir um laudo.
Infecções Gastrointestinais
As fontes mais comuns de infecção são a contaminação do leite, águas paradas, hambúrguer e fast-foods e também alimentos contaminados. A severidade das doenças gastrointestinais varia muito embora sejam de fácil diagnostico clinico. O tratamento é geralmente simples e barato, constituindo hidratação usando soluções de reidratação oral e antimicrobianos somente no caso de infecções por patogenos específicos.
As diarréias infecciosas são grandes problemas de saúde publica em qualquer parte do mundo, principalmente em países em desenvolvimento. As diarréias infecções continuam sendo a maior causa de mortalidade do mundo. Também é a maior causa de morbidade e internações em pacientes idosos.
Os agentes etiológicos envolvidos nas diarréias infecciosas incluem muitas espécies de bactérias, vírus e protozoários, todos possuindo grande numero de sorogrupos, biótipos, sendo também transmitidos pela via fecal-oral. Em muitos países em desenvolvimento a Escherichia coli são os agentes etiológicos mais comumente identificados nas fezes de crianças com diarréia.
As diarréias bacterianas provocam serias alterações no equilíbrio do corpo humano, aqui relatadas como “Síndrome Diarréica” que é a perda de fluidos pelo intestino e a “Síndrome Disentérica” em pacientes com disenteria, as fezes diarréicas são primariamente um produto do intestino grosso. Pus, sangue e muco vistos nessas vezes são resultados da ação de microrganismos invasores. Em pacientes com disenteria os fluidos perdidos geralmente não são em grande quantidades como na síndrome diarréica. Os sintomas incluem febre e dores abdominais. A terapia primeiramente é direcionada a livrar o intestino a caço dos microrganismos através do uso de microbianos.
COLETA E TRANSPORTE DOS MATERIAIS
As amostras fecais devem ser coletadas o mais rápido possível na evolução da doença de preferência antes que seja iniciada qualquer terapia antimicrobiana. Em geral, amostras fecais são preferíveis a esfregaços retais para o isolamento para a maioria dos enteropatógenos. As amostras fecais devem ser coletadas em recipientes limpos e processadas no laboratório logo que possível, caso não seja possível a amostra deve ser refrigerada ou colocada em meio de transporte, que são muito úteis e proporcionam uma sobrevida a longo prazo, mantendo viáveis microrganismos como a Salmonella, Yesirnia, Shigella, E. coli, V. cholerae, até o momento da semeadura do material.
Analise microscópica direta do material é muito útil, pois pode se ter uma noção do que será encontrado na coprocultura. Para a cultura bacteriana deve se usar meios para fins gerais de baixa seletividade para bastonetes gram negativos como o Agar MacConkey, associada a outro meio com seletividade moderada ou alta, como o Agar Salmonella\Shigella.
Grande parte dos métodos de identificação ainda é demorada e requer uma bateria de meios de cultura apesar do progresso no desenvolvimento de novos métodos rápidos de diagnostico. Assim, o período decorrido entre a entrada do material no laboratório de microbiologia e a identificação e antbiogramas dos agentes isolados pode demorar vários dias para uma completa análise.
Coprocultura é um exame realizado às fezes, para verificar se há presença de sangue ou bactérias. Este exame permite fazer a cultura de microorganismos de forma a poderem ser identificadas. Os mais frequentes são a escherichia coli, salmonela, shigela, campylobacter e yersinia. A cultura das fezes identifica microrganismos patogênicos em casos de diarréia aguda ou crônica. De maneira geral este exame exige semeadura em meio de cultura especifico, seguida de identificação bacteriana bioquímica e/ou sorológica. Para um bom resultado segue se as normas de controles de qualidade que vão desde o processo de coleta ao realizar e emitir um laudo.
O material a ser coletado: Fezes recém-colhidas.
Como coletar: Não apresenta restrições quanto a horários, porem assim que coletadas devem ser encaminhadas ao laboratório ate no Maximo em 1 hora, não guardar em geladeira. (Não há necessidade de encher o coletor)
Como se realiza o exame:
A colheita das fezes é feita num recipiente próprio. São colhidas 3 dejeções seguidas e enviadas para o laboratório.No laboratório fazem pesquisa de sangue oculto ou visível, e colocam uma amostra de cada recipiente num meio de cultura, para verificar se cresce algum microorganismo e identificá-lo.

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